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O Mez da Gripe Dezembro 13, 2009

Posted by Lucas Gabriel Marins in Uncategorized.
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Para não deixar o blog morrer, postarei alguns trabalhos feitos na faculdade. O texto abaixo é uma análise de parte da obra O Mez da Gripe, do Valêncio Xavier.

Por Lucas Marins e Poliana Dal Bosco

Interpretações de Vâlencio Xavier, a partir de recortes de jornais e outras informações, sobre a gripe espanhola que "assolou" Curitiba em 1918


Limite entre realidade e discurso jornalístico

No jornal Commércio do Paraná as matérias mais detalhadas trazem muitos dados irrelevantes, o que hoje em dia seria considerado “nariz de cera”. No texto que fala de um débil do hospício que matou algumas pessoas, por exemplo, os dois jornais são “antiéticos”, pois a maneira que abordam a notícia é imoral. Há divergências em ambos. No Commércio, eles contam a história e apontam determinados personagens, mas na somatória final o número passado por eles não bate com o total de vítimas apontado na história. A matéria do Diário da Tarde também diverge da do Commércio nos quesitos números de morte e nomes de alguns personagens. Ou seja, faltou apuração dos dois veículos de comunicação.Quando dados sobre a gripe espanhola são divulgados também há incongruências. Mas isso não é culpa somente dos jornais, pois as autoridades deturpavam as informações.

Publicidade
Os anúncios de publicidade do Commércio são muito sarcásticos. Os dois jornais trabalham com a ironia para atacar um ao outro. É interessante perceber como a publicidade utiliza o jornalismo para promover determinados produtos. Anúncios de caixões, tecidos para caixões, xaropes e creolina, em plena época de gripe espanhola, são, além de poderosas maneiras de divulgação, sarcásticos ao extremo. E como foi dito em sala de aula, isso mostra como a publicidade utiliza do contexto histórico para vender e aponta que seria meio equivocado conhecer a história a partir de propagandas.


Como flui fato e verdade

O dois jornais são totalmente contraditórios. Enquanto o Jornal do Commércio esconde o jogo sobre as mortes que a gripe causou, o Diário da Tarde alarma cada morte e faz absoluto sensacionalismo em cima. Nos dois veículos a verdade é deturpada. O Diário dramatiza demais o fato, passando uma imagem de verdadeiro caos, já o Commércio, ao dizer “Nosso desejo de bem informar nossos leitores, como fazem os jornais verdadeiramente modernos”, acaba por esconder a realidade.O Diário é o popular, mas totalmente sensacionalista. O Commércio já passa uma visão diferente, de fontes oficiais.

Outro fato que deve ser mencionado é a censura. Em uma das páginas do Diário da Tarde há um espaço em branco que deveria ser ocupado por um artigo sobre a gripe espanhola. Ou seja, “A verdade, somente a verdade” – lema da Gazeta do Povo -, não podia ser consumada por completo por questões políticas e econômicas, como nos dias de hoje.

Ideologia de cada veículo
Jornal do Commércio, direita – pega informações com fontes oficiais e esconde determinados fatos. Jornal da Tarde, esquerda – alguns vêem o veículo como sensacionalista.

Papel do leitor
Ao se deparar com os dois jornais de maior circulação da época, em que um é absolutamente contrário ao outro, o leitor é obrigado a formular a sua própria opinião, sem apenas fazer conclusões do que cada veículo diz, ou seja, tomar os cuidados necessários sem se apavorar.

Como os jornais são as únicas fontes de informação, os leitores estão à mercê dos veículos. Eles devem ter muito senso crítico e discernimento para perceber o que é verdade e o que falso – claro que isso não acontecia, pois naquela época, e até mesmo hoje em dia, as pessoas são, de certa forma, alienadas.

Conclusão
Cada jornal se compromete em seguir sua linha ideológica. O Commércio faz pouco caso, sendo simplesmente um meio de divulgação do governo –  é lógico que o Estado não quer comprometer seu trabalho. O Diário cria pânico e faz questão de apresentar um número crescente de mortes diariamente. Podemos dizer que pela época, as questões de ética não eram ainda tão claras, porém quando ocorreu a Gripe Suína no país este ano, alguns veículos não se mostraram muito contrários ao que foi observado no discurso apresentado por Valêncio Xavier, em o Mez da Gripe.

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