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Leituras do MEZ da Gripe Dezembro 13, 2009

Posted by Lucas Gabriel Marins in Uncategorized.
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Outra análise de parte da obra de Vâlencio Xavier.

Por Lucas Marins

Diálogo

O leitor dialoga com o texto quando este o faz pensar. Se o caboclo for um analfabeto funcional a informação, seja ela em forma de literatura, jornalismo ou publicidade – com restrições, pois este tipo de comunicação é persuasiva -, será simplesmente um apanhado de letras que não significa nada. No caso do MEZ da Gripe a “conversa” do leitor com o texto se faz a partir da interpretação pessoal dos acontecimentos. Valêncio Xavier utiliza diferentes formas de linguagens para mostrar um fato do século passado. A pessoa que lê o livro vê fragmentos que no final, ou melhor, na interpretação final, transformam-se em um todo. É como na primeira parte do livro Fama e Anonimato, do Gay Talese. O jornalista, a partir de micronarrativas, apresenta Nova Iorque com fragmentos de histórias de pessoas anônimas, dando, após o término da leitura, um panorama geral da cidade.

Página do jornal Diário da Tarde

Experiência de vida
Se o leitor não tiver conhecimentos culturais, humanísticos e outros que o amadureçam, a informação jogada no jornal é, simplesmente, informação que não serve para nada. Quem lê o caderno de Economia da Folha de São Paulo ou da Gazeta do Povo e consegue entender o porquê da inflação afetar seu dia a dia? Bom, não há pesquisas que mostrem isso, mas é fácil perceber que são poucos os cidadãos que consomem informações financeiras.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela empresa Scarborough apontou que 74% da população adulta dos Estados Unidos lêem jornais. Aqui no Brasil, o número é muito menor: 8,5%.

Sendo assim, o significado do MEZ da Gripe para o leitor ou das notícias para o cidadão da época depende muito da experiência que ele tem. Como foi dito em sala de aula, a publicidade não atende a demanda, mas gera a demanda e o jornalismo não atende o interesse, mas gera interesse. Por isso, o leitor deve estar preparado intelectualmente para o tipo de comunicação que o afeta.

Vâlencio Xavier (São Paulo, 21 de março de 1933 – Curitiba, 5 de dezembro de 2008)

De que forma a fragmentação desafio o processo da leitura?
A fragmentação desafia o processo de leitura, pois é apresentado ao leitor o texto, a notícia jornalística, a foto, a publicidade, a literatura, poesias, e entrevistas com pessoas que viveram na época. Seria muito mais fácil a compreensão se o livro fosse algo uniforme, com uma linha cronológica e estilística – no caso, o tipo de informação.

Como o professor disse em sala de aula, o “ideal” é fazer uma leitura de acordo com a ordem das páginas e depois ler novamente levando em consideração os fragmentos. Primeiro leia as notícias do jornal, por exemplo, depois veja a entrevista com a Dona Lúcia e, por fim, de uma olhada nos anúncios publicitários. Outros tipos de leituras também ajudam, como mesclar o acompanhamento das notícias jornalísticas com a publicidade – isso facilita a verificação de como um tipo de comunicação leva em consideração a outra.

No quesito publicidade deve-se levar em consideração que é um tipo de comunicação que é baseada no consumo e talvez não represente o contexto histórico.

No MEZ da Gripe o autor não apresenta a realidade, mas diversas interpretações do fato. O Commércio mostra-se como de direita, passando informações oficiais, de acordo com a preferência do governo. O Diário da Tarde é de esquerda, mas acaba sendo sensacional demais na tentativa de apresentar dados sobre a gripe espanhola.  Com tantas informações diferentes, o leitor tem que trabalhar ainda mais sua capacidade de identificar quem está dizendo a verdade.

Mas, no caso dos jornais, ambos apresentam informações contraditórias e isso deixa ainda mais confuso o entendimento da disseminação da gripe espanhola em Curitiba. Enquanto um jornal dizia que nada acontecia – utilizava a guerra para preencher suas páginas -, o outro batia na tecla da gripe espanhola. No final, ambos mostram que faltou apuração nas informações.

Outro aspecto que mostra a dificuldade dos jornais é o caso do hospício. Os dois jornais contaram histórias parecidas, mas com informações diferentes. Um dizia que o número de mortes era tanto e o outro afirmava que a quantidade era distinta. No Commércio o erro foi mais evidente, pois a partir de uma matéria cheia de opinião, o jornal, no decorrer do texto, apresentou tantas vitimas, mas, ao final, o número de mostos não condisse

Quais as formas diferentes pelas quais o leitor pode preencher as lacunas do texto?
O leitor pode ler o livro, como foi dito acima, cronologicamente ou de acordo com o tipo de comunicação que é apresentado. Ele pode fazer comparações dos dois jornais, Jornal do Commércio e Diário da Tarde, ou fazer leituras em cima da publicidade, por exemplo.

Em alguns momentos é fácil verificar que uma informação complementa a outra. O Diário da Tarde, por exemplo, citou o caso da mulher com gripe espanhola que foi estuprada por um homem. A Dona Lúcia, testemunha da doença que matou milhares de pessoas, afirmou que um caso parecido havia acontecido na época. Mas, há contradições no discurso da senhora e as palavras ditas talvez não sejam as mais confiáveis – a idade afeta a memória.

Outro exemplo em que o leitor pode preencher uma lacuna é no caso da não publicação de algumas matérias no Jornal do Commércio. O diário, apesar de não afirmar que a gripe estava assolando a cidade, disse que o efetivo não estava completo e algumas matérias não foram produzidas. Ou seja, a gripe chegou à redação, mas as autoridades, com a censura, proibiram o jornal de divulgar determinados fatos para não “alarmar a sociedade” – essa é uma possível visão, não uma definição de caso.

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