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Espetáculo Cotidiano, o Tempo Todo, esquenta curitibanos na Praça Santos Andrade Junho 16, 2009

Posted by Lucas Gabriel Marins in Curiosidades, Dia a dia, Faculdade, Vídeo.
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Quem passou pela Praça Santos Andrade, local de manifestações políticas e culturais do centro de Curitiba, foi surpreendido por pessoas que, pela aparência, não se importam com o frio intenso da cidade.  Camisas largas sem manga sobre o corpo; calças justas de tecido fino; pés descalços, sem meia ou sapato para proteção; e, no rosto, pinturas ao redor dos olhos, algo atípico numa capital. Diferente, talvez, para pessoas que não conhecem o circo, um mundo mágico do entretenimento criado há mais de 5 mil anos para divertir a população.

Espetáculo Cotidiano, o tempo Todo

Espetáculo Cotidiano, o Tempo Todo

E foi o Festival de Circo de Curitiba, com o espetáculo Cotidiano, o Tempo Todo, que ocorreu entre os dias 14 e 16, que chamou a atenção do pedestre e o fez mudar seu caminho. Se fosse para loja gastar, acabou por ganhar um espetáculo regado a dança, expressão corporal, música e malabarismo; se estivesse indo para casa, em busca do quentinho das cobertas, recebeu calor humano de milhares de pessoas sentadas nas escadarias da Federal e, calor do fogo, soprado da boca de um menino moreno, com pinta de atleta, que levanta duas pessoas e ainda tem fôlego para soprar labaredas, como um dragão mostrando sua força; e, por fim, recebeu, entre outras, a voz de Caetano Veloso falando ao fundo, através de uma caixa de som, sobre o tempo “Tempo, tempo, tempo, tempo…”

A apresentação

Sob um pano preto disposto no meio praça, em frente à escadaria da Federal, cinco jovens, três homens e duas mulheres  , todos estudantes do ensino médio em Campo Mourão, mostravam aos curitibanos um rebolado, misturado com malabarismo, música  e teatro. Com retalhos sobre as roupas e facões nas mãos – somente os meninos – davam piruetas e, depois de um tempo, passaram a brincar com bastões de fogo. Com a tocha acesa, botavam na boca parte dela e soltavam para o ar, ao mesmo tempo em que a fumaça começava a se fazer, deixando na praça um cheiro de queimado junto à cor negra que subia.

As meninas corriam de um lado para o outro com o som da caixa gritando uma canção lenta. De repente, como se a realidade recebesse um “flash foward”, a música acelera. É samba, sim, é o “Tico Tico no Fubá”, da nossa Carmen Miranda. Sob a voz da luso-brasileira, os jovens aceleram. Os pés, que antes faziam movimentos não tão rápidos, ganham agilidade. A platéia vibra, como num jogo de futebol.  Para professora Rosali Pucci, a apresentação foi surpreendente. “Foi magnífico. Há tempos que eu não via uma apresentação assim, com a mistura de várias artes” Para completar, afirmou, na presença do coreógrafo do grupo, Fabio dos Santos, que o espetáculo parecia o Cirque du Soleii.

Na apresentação os participantes dançam, fazem malabarismo, brincam com fogo....

Na apresentação os participantes dançam, fazem malabarismo, brincam com fogo....

O Cotidiano

“A arte depende da interpretação da pessoa”, diz a mestre em Comunicação e Linguagem Ivana Barbosa Paulatti. Os senhores (as) sentados na escadaria da federal, muitas vezes, não conseguem entender o que uma apresentação quer passar. Por isso, o coreográfo do grupo Fabio do Santos, explica. “Queremos falar do cotidiano da pessoa, do amor, das brigas, das intrigas…”. O espetáculo mostra a rotina do homem contemporâneo, uma vida sem um caminho pré-definido, com diversos obstáculos. Baseado nas poesias de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e outros, o objetivo – se a arte tem algum objetivo – foi proporcionar reflexão. Segundo Santos, a música que melhor define a apresentação é Time, do Pink Floyd. Na letra, Syd Barret fala que o tempo é jogado fora “Você desperdiça e perde as horas… De uma maneira descontrolada”.

Os Ensaios

Para não fazer feio na frente dos espectadores, doses de treinos intensos são essenciais. De segunda a sexta, em Campo Mourão, interior do Paraná, os jovens dedicam boa parte de seu tempo para aprender técnicas circenses. Eleano Leal,19, o moreno forte que consegue levantar até duas pessoas no ombro, diz que há um segredo para se dar bem “ Temos que conhecer o corpo do parceiro para desenvolver um trabalho bem feito” Seu sonho é dar aulas de circo. Santos diz que boa parte dos integrantes sonha em continuar na profissão do entretenimento e diz que o aluno deve estar disposto. “Quando a pessoa tem força de vontade, os desafios são facilmente superados”.

O espetáculo é uma das inúmeras atrações do Espaço Sou Arte, em Campo Mourão.

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